As interrogações se devem ao fato de eu não gostar de Copa. E as pessoas se admiram de eu não gostar de futebol, “nem na Copa”, como costumam observar.
Não gosto, não entendo, não tenho paciência... E odeio a barulheira que fazem antes, durante e depois dos jogos... Não sou como alguns radicais, que prefeririam ver o Brasil caindo fora logo no início. Não! Não tenho nada contra quem torce, ao contrário. O envolvimento das pessoas, principalmente em massa – com exceção de barulho, brigas e exageros –, e a abertura de cada jogo, com a execução dos hinos, me emocionam.
E as entrevistas e reportagens de todo o “cerco” ao evento: passeios, comidas, movimentação de pessoas em termos mundiais. As torcidas em lugares públicos com telões... A torcida de africanos por outras seleções do continente – ao contrário de europeus ou latino-americanos, que torcem uns contra os outros... Enfim, o esporte como integração. Isso eu valorizo. Assim como em Olimpíadas, inclusive as de inverno. Sem contar a grana que se movimenta. Da cervejinha no bar, das bandeirinhas nas lojas e ruas, e das chatíssimas vuvuzelas, até empregos temporários, turismo e publicidade. Poucos são os segmentos que saem perdendo nesse período.
Eu na Copa sou alguém que está no mundo. Nem querendo, não dá pra me alienar. O buzinaço e os cornetões de pré-jogo não deixam. Não vejo Copa, mas hoje acabei “ouvindo” o jogo na TV, enquanto tentava fazer algo na internet. A lerdeza por conta do antivírus escaneando e a barulheira me impediam de me concentrar em qualquer outra coisa, e aproveitei pra ir caminhar. Afinal, não poderia usar como desculpa a falta de tempo.
Saí, já no meio do segundo tempo, e me admirei com o movimento nas ruas, muita gente já desistindo. Ouvi até comentários de que o jogo estava dando sono... Tinha até trabalhadores ao sol, descansando após o almoço. De vez em quando uns gritos de quem via a TV nos pequenos bares e restaurantes. Eram (muitos) quase gols!
E daí a pouco as ruas começam a se encher mais, e nada de barulho – que bom! Alguns continuaram tomando sua cervejinha nas portas dos bares, e no geral os comentários sobre o zero a zero. Gostei disso. Como leiga e absolutamente imparcial, acho que o brasileiro – torcida e seleção – está sempre de salto alto. Neguinho chutou em bolões 4 x 1, 5 x 1, 5 x 0... O resultado foi bom – porque não teve barulho! – pra calar a boca do brasileiro que adora gozar do português. E a coisa agora deve se inverter e todo mundo ficar bem quietinho. Melhor ainda porque não desperdiçaram fogos nem vuvuzelas, sossego total – explosão talvez guardada para os próximos jogos. E isso em plena sexta-feira...