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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval: nada contra, muito pelo contrário


É verdade, não tenho nada contra carnaval e muito menos contra o samba, como pode parecer. Gosto do bom samba e do bom carnaval, e sou muito interessada nas histórias de carnaval, blocos, escolas de samba, autores e pessoas envolvidas com o tema... Só não me peça paciência para assistir a desfiles, isso não tenho mesmo. Sem contar que geralmente as melhores escolas ficam para o final, ou seja, altas madrugadas...

Os desfiles de Sampa, por exemplo, tiveram atrasos intermediários que resultaram em finais atrasadas em quase duas horas! Acho o fim da picada, em termos de (des)organização, e desrespeito aos passistas e espectadores. E ainda que o tempo ajudou, não caiu uma gota de chuva (ainda bem)!

Consegui, pelo menos, assistir ao desfile da Pérola Negra, que viu o amanhecer deste domingo no Sambódromo. Eu sabia que Rolando Boldrin seria homenageado pela tradicional escola do bairro boêmio de Vila Madalena, e que haveria muitos artistas na passarela. Acordei na madrugada e deixei gravando, tendo conseguido assistir na manhã de hoje. Pena que produção e alguns apresentadores da TV que transmitiu sejam mal informados, e tenham confundido Zé Renato (que eu, pelo menos, não vi) com Renato Braz, que estava lá! E que não tenham conseguido identificar a octogenária Vida Alves no carro da TV Tupi, de mãos dadas com Laura Cardoso – ambas, animadíssimas! Havia outras pessoas ali, que não consegui identificar (nem eles!) e que mal os câmeras mostraram (nem é preciso dizer o que mostram mais, né?)! Destacaram Zé Geraldo e Mariana Moraes, neta do famoso poeta que um dia tratou São Paulo como “túmulo do samba”, mas – dizem – em tom de brincadeira.

Inspiração do carro “Cidade Grande – Esplêndida Colcha de Retalhos”, da Pérola Negra,
surgiu depois da chuva (Foto: Renato Parizzi/G1)

No carro de Rolando Boldrin – que estava, claro, todo alegre, e tinha logo acima um lindo bonecão dele – estavam Alaíde Costa (sambando bonito) e muitos outros artistas que mal foram mostrados (e não consegui identificar, nem na gravação, já que foi tudo muito rápido e sem closees). Pena!

Mas o desfile fez bonito. Lecy Brandão se emocionou ao comentar que eles conseguiram reconstruir tudo o que haviam feito e perderam com as chuvas (imagino que com outras escolas tenha acontecido o mesmo, sei que aconteceu também com Imperador do Ipiranga), e fizeram bonito até com um carro de “retalhos” do que foi perdido (foto). Não vi as outras escolas, mas merece estar entre os primeiros!

MAIS SAMBA NA TV

Como ia dizendo, gosto de samba, tanto que vi na TV Sesc (canal 137 da Net) o documentário “Osvaldinho da Cuíca – Cidadão Samba”, que reprisa sábado, dia 21, às 19h30. Vale a pena ver esse grande músico, da bateria da Vai-Vai, tocar cuíca e pandeiro, sambar bonito (mesmo com 75 anos), mostrar o Bixiga, e revelar seus conhecimentos profundos sobre a história do samba paulistano.

Na TV Cultura, outro representante do samba paulistano, Adoniran Barbosa, será homenageado amanhã (segunda, dia 15), às 20 horas, na reprise do Mosaicos. Do qual, aliás, participa Osvaldinho da Cuíca, entre outros músicos de várias gerações. Hoje, no mesmo horário, tem documentário sobre o paulistano Geraldo Filme e, às 22 horas, sobre o bairro do Bixiga. Na terça (16), também às 20 horas, é a vez de Cartola ser retratado no Mosaicos.

O Canal Brasil (canal 66) também tem exibido curtas, médias e longas-metragens contando a história de sambistas – como Cartola, Geraldo Filme e Pixinguinha, além das Velhas Guardas da Portela e da Mangueira. Valem a pena!


Pra terminar, vai uma dica de show no Sesc. Com Dona Inah, veterana sambista paulista, de 74 anos (nem parece!), que começou a cantar na década de 50 e trabalhou em diversas rádios e orquestras, ao lado de nomes como Isaurinha Garcia, Orlando Silva, Nelson Gonçalves e Aracy de Almeida. Ela faz apresentações em duas unidades:

Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141: Projeto Cordão da Vila – Segunda (15) e terça (16), às 14h30, com repertório de marchinhas e sambas-enredos de sucesso.

Onde: Praça de Eventos.
Quanto: GRÁTIS

Sesc Santana – duas apresentações, integrando o eixo Rio-São Paulo do samba, com convidados especiais:

Dia 27 (sábado), às 21 horas – Cantora paulistana Adriana Moreira e o veterano sambista da Portela, Monarco.

Dia 28 (domingo), às 19h30 – Cantora paulistana Fabiana Cozza (ligada à Camisa Verde e Branco) e o compositor carioca Nelson Sargento, da Velha Guarda da Mangueira.

Onde: Sesc Santana – Avenida Luiz Dumont Villares, 579 – Telefone: (11) 2971-8700
Quanto: R$ 3 a R$ 12

CORRA, PORQUE O SESC SANTANA É PEQUENO E HÁ POUCOS INGRESSOS!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Documentários musicais brasileiros, cada vez melhores

O cinema brasileiro tem feito ótimos documentários musicais, principalmente de cinco anos para cá.
São tantos que não daria para citar meia dúzia, ou mesmo uma, sem contar os curtas-metragens.





Para ver no Canal Brasil  neste fim de semana:

Sexta (19), às 18h30, Cartola – Música para os Olhos (2007), que conta a trajetória de Cartola e mostra todas as suas melhores músicas, com depoimentos de amigos e cenas de seu dia a dia. A gente sai cantando...

Sexta (18), às 22 horas, Loki (2009), em comemoração aos 11 Anos de Canal Brasil, que produziu o filme. Direção: Paulo Henrique Fontenelle. O foco é o músico Arnaldo Baptista, ex-Mutantes. Depoimentos dele, Tom Zé, Nelson Motta e do irmão Sérgio Dias, entre outros. Reprise sábado (19), às 18 horas.

Sábado (19), às 21 horas, tem Pedrinha de Aruanda – Maria Bethânia (2007) – Dirigido por Andrucha Waddington, mostra a cantora na intimidade, ao comemorar seu aniversário em Salvador, com a presença da mãe, D. Canô, e do irmão Caetano. Reprisa domingo (20), às 14 horas. Aproveite para ver ou rever, em DVD da Biscoito Fino, Maria Bethânia – Música é Perfume (2005), dirigido por Georges Gachot.

Dica da Rádio Eldorado: playlist  dos Paralamas do Sucesso, cujo líder Herbert Vianna é retratado no filme Herbert de Perto, que estreia em outubro.





O MILAGRE DE SANTA LUZIA

Enfim, consegui ir ver, no Espaço Unibanco, o filme O Milagre de Santa Luzia (2008, de Sergio Roizenblit), que começa com Dominguinhos na estrada, tocando "Lamento Sertanejo" em seu acordeon.

Dominguinhos nos leva a um delicioso passeio por cidades pernambucanas, paraibanas, mineiras, goianas, gaúchas e paulistas, que têm alguns dos melhores sanfoneiros do país. Sanfona, acordeon, gaita, dependendo da região... A popular sanfona retrata a música folclórica de diversos países, mas, por sua amplitude sonora, se incorpora também à música urbana.



No Brasil, a grande influência de todo sanfoneiro foi Luiz Gonzaga, que nasceu num dia de Santa Luzia, 13 de dezembro. Tanto que cantores ou músicos de outros instrumentos, como João Donato, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Zezé de Camargo começaram na música tocando acordeon...

Pena que não apareçam cenas com o Rei do Baião no filme, mas tem homenagens póstumas a Mário Zan (que se autodenomina caipira italiano), Sivuca (mesmo doente, tocando muito!), ao poeta Patativa de Assaré, e à cantora Marinês, a rainha do xaxado. Oswaldinho, Renato Borghetti, Toninho Ferraguti, e músicos importantes em seus recantos, além, claro, de Dominguinhos. Mostra, ainda, Caruaru, a cidade pernambucana que tem forró o ano inteiro. Além dos ótimos números musicais, bem descontraídos, tem belas cenas da natureza de cada lugar. Destaco algumas grandes frases ditas no filme, verdadeiras pérolas:

“Oswaldinho, se não fosse sanfoneiro, seria guitarrista, porque tem um pé no rock” (Dominguinhos)

“Estar em São Paulo é o mesmo que estar no nordeste” (Dominguinhos, à pergunta sobre saudades de sua terra, já que mora há décadas na capital paulista)

“O Borghetinho, com sua gaita, tem o poder de transformar o mundo” (Bagre Fagundes, sanfoneiro)

“Vim com a família para São Paulo, trazendo farinha, sal, cebola e rapadura. Foram 11 dias no pau de arara” (Dominguinhos, que chora toda vez que toca ‘Triste Partida’, de Patativa de Assaré, porque lembra do pai, também sanfoneiro)

“Em São Paulo, a gente mais se acha do que se perde, mais se perde do que se acha...” (Toninho Ferraguti, que nasceu na cidade paulista de Socorro)

“Ataquei de New York, New York, de Frank Sinatra, quando fui ameaçado com um facão porque devia cantar em inglês” (músico cujo nome não anotei mas que a atenta Erika informou: PINTO DO ACORDEON – Dominguinhos morre de rir quando ele demonstra seu inglês 'inventado', para salvar a própria vida...)

“Gosto de tudo em São Paulo, do trânsito, da poluição... Quem critica, que se mude” (uma mulher não identificada)

DICA PARA CURTIR artesanato, comidas regionais e, claro, música, de várias cidades paulistas: este é o último fim de semana para visitar a 7ª Revelando São Paulo, no Parque da Água Branca.